EM AQUIRAZ

ÁRVORES CENTENÁRIAS SÃO PODADAS SEM AUTORIZAÇÃO AMBIENTAL

Duas árvores centenárias foram podadas na Praça Cônego Araripe (conhecida como Praça da Matriz), no centro de Aquiraz. De acordo com informações da Secretaria de Infraestrutura do município, as árvores estariam atrapalhando o funcionamento de uma câmera de monitoramento instalada ao lado das plantas — e a poda foi solicitada pelo Batalhão de Policiamento de Rondas e Ações Intensivas e Ostensivas (BPRaio). O secretário de Meio Ambiente de Aquiraz, Giliardo Sampaio, revelou não saber previamente que a poda estava sendo executada. Ele ainda afirma que, para o serviço ser realizado, uma solicitação deveria ter sido aprovada pela Pasta, contudo, nenhum pedido foi registrado. De acordo com o titular, a execução do serviço é de responsabilidade da Secretaria de Infraestrutura de Aquiraz. A secretária-executiva de Infraestrutura do município, Mailsa Feijó, não considera a ação desautorizada como “absurda”. De acordo com ela, a intervenção foi realizada sem licença do Meio Ambiente por conta da urgência da solicitação. “Não tivemos tempo hábil de protocolar. Nós fizemos o ofício, mas não deu tempo para protocolar no Meio-Ambiente devido à pressa que eles (BPRaio) pediram. Foi um erro aqui do pessoal, mas não vai ocorrer novamente”, garantiu a titular.

Francisco Sérgio Farias, engenheiro agrônomo e fundador do Movimento Pró-Árvore revela a ilegalidade de podar árvores sem permissão oficial. “Tem que ter um laudo autorizado por um agrônomo qualificado, justificando o porquê dos cortes. Se não existe a autorização é um crime ambiental. Não se pode cortar árvores em áreas públicas e privadas, sem autorização”, comenta o botânico sobre a legislação referente ao artigo 49 da Lei n° 9.605/98. A Secretaria de Meio Ambiente não possui um mapeamento com as espécies e idades das árvores presentes na Praça da Matriz. O coordenador da área, Aglailson Ramos, reverbera que as plantas podadas são espécimes centenárias, e que “provavelmente” essas árvores irão renovar as ramificações e folhagens, uma vez que o tronco permanece fixo no local.

Em nota enviada à reportagem, o governo de Aquiraz alega que a poda realizada na Praça da Matriz ocorreu mediante solicitação da própria população local. “Notou-se que as árvores em questão estavam com galhos secos e com cupins”, diz o documento. Segundo a gestão municipal, por conta desta situação, e com os ventos fortes que acontecem na região nesta época do ano, havia risco de queda de galhos.

O mesmo documento ressalta que as podas também foram solicitadas pelo Batalhão de Policiamento de Rondas e Ações Intensivas e Ostensivas (BPRaio), tendo em vista alguns galhos das referidas árvores estavam encobrindo a câmera de videomonitoramento instalada no local, dificultando, assim, as ações preventivas do grupamento naquela região.

Enquanto as motosserras removiam os galhos e folhas, Jair Dantas, morador de Tapera, distrito de Aquiraz, estava sentado em um banco da praça, aproveitando a sombra que ainda existe. O músico se declarou insatisfeito com a intervenção. “Aí não é poda, e se for por conta da câmera é uma falta de respeito. A praça já é desanimada, e se ficar sem árvore ninguém vem pra cá, por conta do sol”, declarou Jair.

Assim como em Aquiraz, a Prefeitura de Fortaleza também não possui um levantamento consolidado sobre a quantidade e georreferenciamento de árvores na cidade. De acordo com a Autarquia de Urbanismo e Paisagismo de Fortaleza (URBFOR) “um inventário arbóreo com o georreferenciamento das árvores de alguns Parques foi iniciado sob a gestão, como o Horto Florestal Municipal Falconete Fialho e o Zoológico Municipal Sargento Prata, mas não há ainda uma iniciativa que contemple toda a cidade”.