EDUCAÇÃO

SERVIDORES CONFESSAM FRAUDE EM ESQUEMA NA EDUCAÇÃO, EM ITAPAJÉ-CE

http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/polopoly_fs/1.1936148!/image/image.jpg_gen/derivatives/landscape_490/image.jpgTrês dos quatro servidores investigados pela Delegacia Municipal de Itapajé na Operação ‘Educação do Mal’, deflagrada na manhã dessa quarta-feira (9), confessaram os crimes realizados na Secretaria de Educação do Município com relação à fraude nas notas de alunos da Escola Padre Manoel Lima e Silva. O quarto servidor, peça-chave na apuração do esquema, de acordo com o delegado André Firmino, ainda não foi ouvido e, por isso, os nomes dos envolvidos não foram divulgados. O secretário Municipal de Educação, Vilemar Braga Marinho, já foi notificado a comparecer na Delegacia para depor, mas ainda não se manifestou. A Operação cumpriu mandados de busca e apreensão na Escola Municipal, localizada no bairro Ferros. Foram confiscados pelos investigadores seis notebooks, duas CPUs de computadores da Instituição, boletins de alunos, além de diários de classe do ano passado. Contudo, alguns documentos relativos a duas disciplinas não foram encontrados.

A ‘Educação do Mal’ apura ações ilícitas de servidores da Secretaria Municipal de Educação de Itapajé, que estariam modificando notas de alunos da Escola Padre Manoel Lima e Silva a fim de não diminuir os índices estadual e federal da Instituição de ensino e da cidade de Itapajé, consequentemente.

As notas eram alteradas no Sistema Permanente de Avaliação da Educação Básica do Ceará (Spaece) – o qual observa o desenvolvimento de alunos das escolas públicas cearenses – e no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), do Governo Federal. A fraude aumentaria a quantidade de recursos estaduais e nacionais em razão dos excelentes índices.

Segundo André Firmino, os servidores “maquiavam os dados dos alunos para conseguir mais recursos públicos”. O delegado citou ainda casos nos quais uma servidora aprovou o próprio filho, alunos foram qualificados sem sequer fazer a recuperação e outros reprovados, “milagrosamente” aprovados.

Em outros casos apurados pela investigação policial, estudantes que haviam sido transferidos apareciam no histórico escolar com notas positivas; da mesma forma, alunos doentes, que não realizaram avaliações, obtinham aprovação.

“Comecei a ouvir professores de outras escolas e o problema se alastra por todo o Município (de Itapajé)”, disse o delegado responsável pelo caso, ao informar que a investigação corre há cerca de cinco meses e diversos docentes e gestores escolares já foram realocados em outras instituições de ensino municipal.

Segundo André Firmino, a linha de investigação da Polícia Civil é de que o esquema não ocorre apenas na Escola alvo da operação, mas abrange outros colégios da cidade de Itapajé. Nas entrevistas com outros diretores municipais, “eles começaram a se blindar nos últimos dias, vindo até com advogados e dizendo o mesmo que os outros diziam”, explicitou o delegado da apuração.

Oito professores ouvidos pelos investigadores nos últimos meses disseram que alguns estudantes sofrem, inclusive, bullying por não estarem no nível adequado de cada série. Relatos apontam que há crianças analfabetas comparecendo regularmente às aulas do 9º ano.

“Alguns alunos diziam que não iam mais à escola porque sabiam que iriam passar no fim do ano de qualquer jeito”, relatou o investigador, tendo como base os depoimentos de docentes municipais. Segundo André Firmino, nesta semana deve ocorrer pelo menos mais uma ação a fim de desbaratar o esquema instalado em Itapajé.

Os envolvidos na suposta fraude são investigados pelos crimes de associação criminosa, prevaricação, inserção de dados falsos em sistema de dados da administração pública, condescendência criminosa e exercício funcional ilegalmente antecipado ou prolongado.

Já foram ouvidas cerca 15 pessoas vinculadas à Escola alvo da Operação e, com a apreensão de documentos e computadores, outros envolvidos no suposto esquema devem ser identificados e indiciados.

com informações do Diário do Nordeste