MAIS DE CEM MIL FALTAM NO CEARÁ AO PRIMEIRO DIA DO ENEM

http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/polopoly_fs/1.1846512!/image/image.gifEssencial para quem quer ingressar em universidades cearenses, o primeiro dia de Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), neste domingo (5), contou com os tradicionais atrasados, locais de prova confundidos e esquecimentos. Entretanto, o número foi bem menor de pessoas chegando em cima do horário em relação ao ano passado. Ainda assim, segundo dados preliminares do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), 100.811 candidatos no Ceará não prestaram o certame. O número representa 27,60% dos 365.255 inscritos na prova.

A distribuição de canetas, lanche e água mineral, bem como o apoio de desconhecidos a quem chegava, nervoso, para fazer as provas de redação, ciências humanas e linguagens e códigos, deram o tom do dia atípico na Capital cearense. Este foi o cenário percebido na entrada da Universidade Estadual do Ceará (Uece). Em um dos maiores locais de prova do Enem no Ceará, voluntários e representantes de instituições privadas distribuiam água, barras de cereal e até mesmo abraços. A Universidade de Fortaleza (Unifor) tinha um ponto de apoio no local para oferecer água mineral e lanche, assim como a Secretaria da Educação do Estado do Ceará (Seduc). A Pasta esteve, no primeiro dia de prova, em outros 159 locais de exame em todo o Estado, além dos terminais de ônibus da Capital.

Foram distribuídos 200 mil kits alimentação, com banana e maçã, 200 mil garrafas de água mineral e 200 mil canetas pretas. O titular da Pasta, Idilvan Alencar, destacou ainda o apoio no transporte dos alunos da rede pública, que receberam a passagem de ônibus, para quem fez a prova em Fortaleza, e transporte gratuito em ônibus fretado, para quem mora no Interior.

“Em Fortaleza, a gente disponibilizou um crédito adicional nas carteirinhas dos alunos da rede pública. Para quem não tem carteirinha, oferecemos como opção o Passe Enem. Tivemos ainda apoio nos terminais rodoviários urbanos, com pessoas auxiliando quem gastou a mais ontem ou quem perdeu a carteirinha”, disse Alencar.

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Neste ano, de acordo com Alencar, 99,51% dos alunos do terceiro ano do Ensino Médio da rede pública do Estado se inscreveram no Enem. Índice que foi o maior do País, cuja média fica em torno de 60%.”Nós temos 102.300 alunos matriculados no terceiro ano. Destes, nós inscrevemos 101.800 alunos, 99,51% do total. No ano passado, foram 96% dos alunos do terceiro ano da rede pública inscritos. Em 2018, a gente chega aos 100% . Muitas escolas tiveram 100% de inscritos”, relatou Alencar.

Um dos projetos dos quais os alunos da rede pública de ensino se beneficiaram para afinar os estudos para o Enem, a Academia Enem 2017 ofertou, neste ano, cerca de oito mil vagas para estudantes de Fortaleza. Um dos participantes do projeto, Paulo Robson de Almeida, esteve na Uece ontem, mas não para fazer a prova. Desempregado há poucos meses, ele foi até o local para vender brownies, atividade que tem sido a sua fonte de renda.

Ele planejava fazer a prova deste ano, mas com o ocorrido, teve que adiar o sonho e aproveitou para apurar com a movimentação em decorrência do exame. Apesar de não ter feito a prova, ele contou, feliz, que a esposa, Gerliane Fernandes, também inscrita, foi fazer a prova. “Ela ia comigo para as aulas, foi fazer a prova e eu vim vender brownie. Quando ela passar, no ano que vem, ela vem vender e eu vou fazer a prova”, acrescenta Paulo.

Enquanto oferecia seus brownies aos que aguardavam a abertura dos portões debaixo do sol escaldante, com termômetros em 32%, Paulo e outras pessoas, entre quem acompanhava os inscritos, vendedores ambulantes e curiosos, observavam a intensa movimentação na Avenida Silas Munguba na manhã do domingo. Para auxiliar na organização do trânsito, três viaturas da Autarquia Municipal de Trânsito (AMC) faziam o controle do tráfego no local.

Nas avenidas Luciano Carneiro e Treze de Maio, o fluxo era intenso bem antes da abertura dos portões. Com dois locais de prova bem próximos um ao outro – Colégio Adauto Bezerra e Centro de Humanidades da Uece – , a região do bairro de Fátima tinha movimentação atípica para um domingo logo no início da manhã de ontem.

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A estudante Caroline Costa foi uma das pessoas que resolveu chegar bem cedo. Ela, que saiu do bairro Vila Manoel Sátiro até seu local de prova na E.E.M Adauto Bezerra, para não correr o risco de entrar para o time de atrasados do Enem, chegou pouco depois das 9 horas da manhã. Caroline disse ainda que está tentando a aprovação no Enem pela terceira vez e que focou na redação, esperando que o tema fosse mobilidade urbana. “É a terceira vez que eu tento. Na última vez, tinha tentado para Geologia, mas não deu certo”, declarou a jovem.

Na Universidade de Fortaleza, no bairro Edson Queiroz, os participantes começaram a se aglomerar por volta de 9h. A estudante do ensino médio Jéssica Sousa, moradora do bairro Messejana, saiu de casa cedo por medo de enfrentar o trânsito das redondezas. Na Avenida Washington Soares, o tráfego de veículos foi intenso nas duas faixas da via. Motoristas paravam nas proximidades das escolas para os participantes do Enem descerem na via.

De Quixeramobim, os pais da estudante Laura Sousa vieram acompanhar a filha até o local de prova. “É um momento único na vida dela. Eu sei que existe uma pressão muito grande em cima da nota, mas sei que ela vai fazer o melhor. A gente passa o ano todo rezando por ela”, comenta a dona de casa Maria Cecilia Sousa. Ainda na porta da Unifor, a jovem estudava as formatações da redação. Tenho dificuldade para escrever e tive mais atenção esse ano para não tirar nota baixa. A redação é quase metade da nossa nota e pode ajudar na pontuação para o curso que eu quero que é medicina”, declarou.

E houve quem chegou cedo, mas não teve tranquilidade. Darlisson Bruno, estudante do bairro Messejana, esqueceu o cartão de inscrição. Com medo de não entrar, ligou para os pais irem deixar. Apesar da preocupação, a apresentação do documento não é era obrigatória. Nele é possível encontrar informações de sala e local de prova.

Ainda na Avenida Washington Soares, o movimento também foi intenso no Colégio Ari de Sá Cavalcante. Alunos da rede de ensino pública e privada dividiram as mesmas salas. A aluna do Liceu do Ceará Priscila Sousa, 17, ficou feliz ao saber que a sala do exame teria ar condicionado.

Em 2017, o Exame passou a ser aplicado em dois domingos seguidos: 5 e 12 de novembro. No primeiro, foram aplicadas as provas de Linguagens, Ciências Humanas e Redação, com 5h30 de duração. Os participantes precisaram redigir um texto dissertativo-argumentativo sobre o tema “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”, uma surpresa até para professores. No próximo domingo, serão aplicadas as provas de Matemática e Ciências da Natureza, com 4h30 de duração.

Da banquinha de lanche ao vendedor de canetas, os locais de provas estavam cheios de autônomos. Para eles, a ideia era ajudar, fosse com um alimento ou com uma caneta aos esquecidos.

O comerciante de canetas Luiz Antônio Sales, 46, vende canetas há dois anos. Em pouco mais de uma hora de comércio na porta da Unifor, Sales vendeu cerca de 50 canetas “É uma forma de ajudar, né? Esses meninos tem uma pressão grande, pois é a escolha da vida deles que está em jogo. Na correria, eles esquecem bolsa, documento e até as canetas”, comenta brincando.

com informações do Diário do Nordeste
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